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Método eficiente

São dicas que podem facilitar nos seus estudos.

10 Dicas Básicas para a Aprovação

Manual que ensina através de um método prático e fácil, como se preparar melhor para uma prova de concurso público.

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domingo, 17 de agosto de 2014

Modificações no novo acordo ortográfico

Olá, concurseiros!

A dica de hoje é sobre as novas regras ortográficas que após várias tentativas de se unificar a ortografia da língua portuguesa, desde 1º de janeiro de 2009 passou a vigorar no Brasil e em todos os países da CLP (Comunidade de países de Língua Portuguesa). O período de transição para as novas regras ortográficas se finaliza em 31 de dezembro de 2015.
Essas modificações foram feitas no sentido de promover a união e proximidade dos países que têm o português como língua oficial: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.

Fique por dentro de todas as mudanças!

Acentuação dos ditongos das palavras paroxítonas
Some o acento dos ditongos (quando há duas vogais na mesma sílaba) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte):
antes era: idéia - agora é: ideia 
antes era: bóia - agora é: boia 
antes era: asteróide - agora é: asteroide 
antes era: Coréia - agora é: Coreia 
antes era: platéia - agora é: plateia 
antes era: assembléia - agora é: assembleia 
antes era: heróico - agora é: heroico
 antes era: estréia - agora é: estreia
 antes era: paranóia - agora é: paranoia 
antes era: Européia - agora é: Europeia 
antes era: apóio - agora é: apoio
 antes era: jibóia - agora é: jiboia 
antes era: jóia - agora é: joia

ATENÇÃO! As palavras oxítonas como herói, papéis, troféu mantêm o acento, porque têm a última sílaba mais forte.

Acento circunflexo em letras dobradas
Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):
antes era: crêem - agora é: creem 
antes era: lêem - agora é: leem 
antes era: dêem - agora é: deem 
antes era: vêem - agora é: veem 
antes era: prevêem - agora é: preveem 
antes era: enjôo - agora é: enjoo
 antes era: vôos - agora é: voos

Acento agudo de algumas palavras paroxítonasSome o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas:
antes era: baiúca - agora é: baiuca 
antes era: bocaiúva - agora é: bocaiuva 
antes era: feiúra - agora é: feiura
 
ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí.

Acento diferencial
Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):
antes era: pêlo - agora é:  pelo 
antes era: pára - agora é: para 
antes era: pólo - agora é: polo 
antes era: pêra - agora é: pera 
antes era: côa - agora é: coa
 
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.
 
Acento agudo no u forte 
Desaparece o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:
antes era: averigúe
- agora é: averigue
 antes era: apazigúe - agora é: apazigue 
antes era: ele argúi - agora é: ele argui 
antes era: enxagúe você - agora é: enxague você
 
ATENÇÃO! As demais regras de acentuação permanecem as mesmas.  

AlfabetoInclusão de três letras no alfabeto.
Antes era 23 letras, agora passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k“, “w” e “y“.

Grafia (Portugal) - Alterações limitadas a Portugal
Desaparecem o c e o p de palavras em que essas letras não são pronunciadas:
antes era: acção - agora é: ação 
antes era: acto - agora é: ato
antes era: adopção - agora é: adoção 
antes era: óptimo - agora é: ótimo 

Eliminação do hífen em alguns casos
O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:

1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:
 
antes era: extra-escolar - agora é: extraescolar 
antes era: aero-espacial - agora é: aeroespacial 
antes era: auto-estrada - agora é: autoestrada

2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:
 
antes era: anti-religioso - agora é: antirreligioso 
antes era: anti-semita - agora é: antissemita 
antes era: contra-regra - agora é: contrarregra
 antes era: infra-som - agora é: infrassom
 
ATENÇÃO! O hífen será mantido quando o prefixo terminar em r-
Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.

Trema (Extinção do trema)Desaparece em todas as palavras:
antes era: freqüente - agora é: frequente 
antes era: lingüiça - agora é: linguiça 
antes era: seqüestro - agora é: sequestro
 
ATENÇÃO! O trema permanece em nomes como Müller ou Citröen.

Bons estudos e até o próximo post!

domingo, 29 de junho de 2014

Português: Equívocos do nosso dia a dia

O português é a quinta língua mais falada do mundo e a mais falada em todo o hemisfério sul da Terra. Mesmo para os brasileiros ou outras nacionalidades que já crescem falando a língua, ainda há certos termos que podem confundir na hora de escrever ou até mesmo pronunciar o idioma.

Nos cartazes e anúncio em geral, é comum ver não só erros de ortografia, como também de concordância, crase, acentuação, uso do hífen e muitas outras regras que podem embaralhar a cabeça de quem está lendo.

No post de hoje irei explicar alguns equívocos praticados e que estão presentes no nosso dia a dia.

A expressão “maiores informações” é muito comum vermos em cartazes e anúncios em geral. Através deste equívoco, quero explicar que o uso de “maiores”, usa-se para incentivar a pessoa a procurar outros detalhes, você deve dizer “mais informações”, pois as informações existem em maior quantidade e não em tamanho maior.

Aproveitando que estamos falando de anúncios em geral, destaco aqui outros dois erros frequentes nesse tipo de comunicação: a escrita de horas e o uso de crase com horas e dias da semana. Quando escrevemos horas, a única grafia permitida é no seguinte formato: 12h30min. Você pode optar por não usar “min” (12h30). Quando a hora é inteira, basta colocar o “h”. Grafamos, portanto, 1h, 10h, 12h30 etc. Não é permitido usar “hr”, “hrs” nem dois pontos entre horas e minutos. Nenhuma dessas grafias é aceita pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que é o órgão responsável por uniformizar a grafia de abreviações.

Outro ponto que causa bastante dúvida é o uso de crase entre horários e dias de semana. Quando dizemos que um evento vai acontecer das 7h às 14h, sempre usamos crase. Caso opte pelo singular, pode grafar assim: de 7h a 14h, mas essa última forma é menos usual.

Já a crase entre dias da semana é proibida. Um evento pode acontecer de segunda a quinta, terça a sábado ou quarta a domingo, tanto faz o período: nunca vai ter crase!

"Fazem cinco anos que trabalho no setor"; em vez de "Faz cinco anos..." (concordância verbal)

"Vou estar enviando o documento"; em vez de "Vou enviar o documento." (gerundismo)

"A nível de empresa ..." (modismo; deve-se substituir a expressão por "em relação a, em se tratando de, quanto a")

"Na medida em que ganhamos mais clientes..."; em vez de "À medida que" (a primeira forma indica causa, e não proporção)

"O índice valorizou 10%"; em vez de "O índice se valorizou 10%" (o verbo é reflexivo)

"Esse é o documento que preciso"; em vez de "Esse é o documento de que preciso" (regência verbal)

"Se eu ver o colega, aviso"; em vez de "Se eu vir o colega" (erro na conjugação do verbo ver)

" Há menas coisas..."; em vez de "menos coisas" (concordância nominal)

"O meu rejistro profissional... "; em vez de "registro profissional" (ortografia)

"Eles reteram o documento..."; em vez de "retiveram" (conjugação verbal)

"Deixe esse ofício para mim fazer"; em vez de "para eu fazer" (uso inadequado do pronome)

"Não se preocupa, vamos bater a meta"; em vez de "Não se preocupe" (mau uso do imperativo negativo)

"Vamos organisar a festa?"; em vez de "Vamos organizar a festa?" (Terminação “izar” indica ação de fazer. A terminação se agrega a um adjetivo ou substantivo terminado em r, l, n ou vogal)

Espero que o post de hoje possa auxiliar muito os leitores que acompanham o meu blog.

Bons estudos.
Até a próxima!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Fique atento em algumas colocações da Língua portuguesa

Bom dia!

O post de hoje trata-se de expressões e colocações que são cada vez mais comuns e utilizadas no nosso dia a dia. Para muitos a língua portuguesa não é moleza, mas para outros não existe preocupação na maneira de falar e escrever. Então, faça parte do time que se preocupa na sua fala e escrita.

Cuidado com o excesso de palavras. Não raro isso leva a redundâncias inadmissíveis, que revelam desconhecimento e contam pontos negativos para a imagem de qualquer um. É o caso de expressões como "elo de ligação", "hábitat natural" e "monopólio exclusivo", só para citar algumas mais comuns. Em todas elas, o complemento é dispensável, já que todo elo é de ligação, todo hábitat é natural e não há monopólio que não seja exclusivo. Encaixam-se na mesma categoria de "subir para cima", "descer para baixo", "ver com os olhos", etc.

É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás… Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá ideia de passado. Ou se diz simplesmente Há muito anos… ou Muitos anos atrás. Escolha. Mas não junte o há com atrás.

Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.

Muita gente usa a expressão “de encontro” no sentido errado. Na verdade, gostaria de dizer “ao encontro”. “A sua opinião vem de encontro à minha”. Isso quer dizer: “A sua opinião é contra a minha”. O correto seria: “A sua opinião vem ao encontro da minha”. Portanto, cuidado: quem “vai de encontro” vai bater em algum lugar...

Esse português da gente tem cada uma: tem viagem com g e viajem com j. Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.

Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

Pode parecer estranho, mas é o correto. O verbo "ver" transforma-se em "vir" quando usado no futuro do subjuntivo. Exemplo: "Se eu vir com meus próprios olhos, poderei acreditar". As demais pessoas desse tempo também substituem o "e" pelo "i": vires, vir, virmos, virdes, virem. Os verbos "prever", "rever" e "antever" seguem o mesmo caminho.

Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com idéia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a ideia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não duzentas ou trezentas. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for ao parque, aí sim, é feminino: não pise na grama; a grama está bem crescida.

Se há um vício de linguagem absolutamente abominável é aquele de usar a terrível expressão “o mesmo” ou “a mesma” para designar de que/quem se está falando. Exemplo famoso, ligeiramente modificado, escrito na parede de um bar: “O rei da feijoada, o mesmo do feijão preto”. Nesse exemplo tenebroso, bastava  colocar no lugar de “o mesmo” a simples conjunção “e”: “O rei da feijoada e do feijão preto”. Na cidade do Recife, uma lei municipal exige que em todos os lugares onde haja uma porta de elevador seja afixada, bem visível, a seguinte frase: “Aviso aos usuários: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”. Nada contra a lei. Tudo contra a expressão, que bem poderia ser  substituída, com enorme vantagem, por exemplo, apenas pelo pronome “ele”, em prol da saúde mental dos usuários que, na maioria das vezes, têm como única opção de leitura, no ambiente, o aviso com a poluidora expressão.

"Preciso de falar uma coisa urgente com o meu gerente". Incrível, mas muita gente ainda comete esse erro imperdoável de português. Só usamos a preposição "de" após o verbo precisar quando o complemento verbal é um substantivo ou pronome. Por exemplo: "Preciso de dinheiro"; "Preciso de você". Quando o complemento é um verbo no infinitivo, a preposição não é utilizada. "Preciso falar uma coisa urgente com o meu gerente"; "Preciso fazer algo"; "Preciso pensar em uma solução para esse problema".

Pode parecer estranho, mas é o correto. O verbo "ver" transforma-se em "vir" quando usado no futuro do subjuntivo. Exemplo: "Se eu vir com meus próprios olhos, poderei acreditar". As demais pessoas desse tempo também substituem o "e" pelo "i": vires, vir, virmos, virdes, virem. Os verbos "prever", "rever" e  "antever" seguem o mesmo caminho.

Não confunda: ‘senão’, (juntinho), quer dizer”caso contrário” e ‘se não’, (separado), equivale a “se por acaso não”. Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença? 

Alguns erros de português provocam estragos devastadores na imagem pessoal e profissional. Entre os mais graves estão o uso equivocado de duas palavrinhas que ainda confundem muita gente. Nunca, mas nunca mesmo, diga "menas" ou use "perca" como substantivo. 
Menas - Apague essa palavra de seu dicionário. "Menas" não existe. O correto é "menos", mesmo que a palavra seguinte venha no feminino: menos escolas, menos pobreza, menos denúncias de corrupção.
Perca - Nunca utilize "perca" como substantivo, no sentido contrário de "ganho". O certo é "perda": perda de material, perda de poder aquisitivo, perda de memória. "Perca" é verbo (sentido contrário de encontrar): não se perca de mim, não perca credibilidade falando errado.

Muita gente ainda erra na hora de empregar a crase por esquecer uma regrinha básica. A crase é a união do artigo "a" com a preposição "a" — portanto, nunca deve ser utilizada antes de palavras masculinas. Não se deve crasear, por exemplo, expressões como: O restaurante faz entrega a domicílio; A moça estava a salvo; Deixou os marujos a bordo; Fez todo o percurso a pé; Falamos muito a respeito disso; A maior parte das venda é feita a prazo, entre outros.

Nunca se esqueça: Seu melhor professor é você mesmo!
Abraços e Sucesso!

terça-feira, 4 de março de 2014

Algumas pegadinhas da Língua Portuguesa

Boa tarde a todos que me acompanham através do meu blog.

Neste post irei explanar sobre algumas pegadinhas da Língua Portuguesa que faz com que o candidato se confunda durante as provas. Aparentemente o português para ser fácil, mas não é. Esta disciplina é composta de muitas regras nas quais seu uso não é exatamente da maneira que se fala, pois a fala e a escrita são duas modalidades diferentes da língua. 

Na língua escrita há mais exigências, em relação às regras da gramática normativa. Isso acontece porque, ao falar, as pessoas podem ainda recorrer a outros recursos para que a comunicação ocorra - pode-se pedir que se repita o que foi dito, há os gestos, etc. Já na linguagem escrita, a interação é mais complicada, o que torna necessário assegurar que o texto escrito dê conta da comunicação.

A escrita não reflete a fala individual de ninguém e de nenhum grupo social. Por essa razão, a fala e a escrita exigem conhecimentos diferentes. A maioria de nós, brasileiros, falamos, por exemplo, "Eli me ensinô". O português na variante padrão exige, no entanto, que se escreva assim: "Ele me ensinou". Essas diferenças geram muitos conflitos.

A língua muda, ainda, conforme o grupo social, a região, e o contexto histórico. São as chamadas variações linguísticas. A gíria e o jargão são algumas dessas variações.

Confira algumas pegadinhas, então:

1ª Pegadinha
Errado: O acidente aconteceu porque o motorista dormiu no volante. (Para que alguém consiga dormir no volante, é necessário que este seja, no mínimo, do tamanho de uma cama. Convenhamos, volantes desse tamanho ainda não foram fabricados).
 
Certo: O acidente aconteceu porque o motorista dormiu ao volante. (Quem dorme bem, dorme em algum lugar. Já "dormir próximo" ou "junto" significa dormir a (preposição) com o respectivo artigo (o ou a).

2ª Pegadinha
Errado: Simpatizei-me com aquela pessoa. (O verbo simpatizar não é pronominal. Assim, não é aceito no nível formal de linguagem).

Certo: Simpatizei com aquela pessoa. (O verbo simpatizar não é empregado com pronomes, este exige complemento com a preposição com).

3ª Pegadinha
Errado: Amanhã vou no cinema. (Na linguagem informal, é comum o uso do verbo ir com a preposição em).

Certo: Amanhã vou ao cinema. (Na norma culta, entretanto, determina que com o verbo ir o adjunto adverbial seja introduzido pela preposição a e não pela preposição em).

4ª Pegadinha
Errado: Não exceda da dosagem alcoólica permitida. (O verbo exceder não admite a preposição de).

Certo: Não exceda a dosagem alcoólica permitida. (O verbo exceder pede objeto direto. Não exceda o quê?).

5ª Pegadinha
Errado: A polícia não pode prendê-lo porque ele é de menor. (O verbo “ser” não rege a preposição “de”).

Certo: A polícia não pode prendê-lo porque ele é menor de idade. (O termo “de idade” tem de ficar depois do adjetivo “menor” por ser complemento nominal).

Nunca se esqueça: Seu melhor professor é você mesmo!
Abraços e Sucesso!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Regência Verbal

Bom dia!

A postagem de hoje é sobre um assunto que pega muitos candidatos durante os concursos públicos: Regência Verbal. Para que facilite o seu entendimento, farei um resuminho para que você possa entender melhor.
 
Vamos começar os estudos?

A regência vem do significado gramatical de reger, ou seja, de determinar a flexão de algum termo. Portanto, o verbo é o regente da oração, enquanto o seu complemento é o termo regido, logo é o que irá ser flexionado. Então, podemos entender por regência verbal a relação que o verbo estabelece com seu complemento (objeto direto ou indireto) fazendo relações entre as palavras, criando frases não ambíguas, que expressem efetivamente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.

Não esqueça: o verbo pede preposição ou não antes de seu complemento. Dependerá do sentido do verbo.

  1. Verbo assistir
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de ver, presenciar algo, o complemento será com preposição, ou seja, o verbo será transitivo indireto.
Ex: Eles assistiram ao filme pela televisão.
                 VTI             OI
VTI – verbo transitivo indireto
OI – objeto indireto (há a preposição ao)
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de prestar ajuda, assistência, o complemento será sem a preposição, ou seja, o verbo será transitivo direto.
Ex: O enfermeiro assistiu o paciente.
                         VTD            OD
VTD – verbo transitivo direto
OD – objeto direto (sem a preposição)
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de caber, o complemento será com preposição, ou seja, o verbo será transitivo indireto.
Ex: Este é um problema que lhe assiste.
                                       OI     VTI
VTI – verbo transitivo indireto
OI – objeto indireto (Este é um problema que cabe a você.)
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de morar, residir, não haverá complemento, ou seja, o verbo será intransitivo.
Ex: Ele assiste em Brasília.
           VI             Adjunto adverbial de lugar
VI – verbo intransitivo
  1. Verbo visar
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de alcançar um objetivo, pretender algo, o complemento será com preposição, ou seja, o verbo será transitivo indireto.
Ex: Ele visava ao cargo de gerente.
                          VTI               OI
    
VTI – verbo transitivo indireto
OI – objeto indireto (há a preposição ao)
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de mirar, olhar, o complemento será sem preposição, isto é, o verbo será transitivo direto.
Ex: O caçador visou a caça.
                        VTD     OD
VTD – verbo transitivo direto
OD – objeto direto
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de dar visto, o complemento será sem preposição, isto é, o verbo será transitivo direto.
Ex: O gerente visou o cheque.
                    VTD      OD
VTD - verbo transitivo direto
OD – objeto direto
 
  1. Verbo aspirar
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de cheirar, inalar, o complemento será sem preposição, isto é, o verbo será transitivo direto.
Ex: Ela aspirou o aroma das flores.
             VTD           OD 
VTD - verbo transitivo direto
OD – objeto direto
  • Quando o verbo for utilizado no sentido de pretender algo, desejar algo, o complemento será com preposição, isto é, o verbo será transitivo indireto.
Ex: Ele aspirava à presidência da fábrica.
             VTI                 OI
VTI – verbo transitivo indireto
          OI – objeto indireto (há a preposição à)

Nunca se esqueça: Seu melhor professor é você mesmo!
Abraços e Sucesso!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Alguns equívocos cometidos na língua portuguesa

Boa noite, meus queridos amigos que me acompanham através do meu blog.

Hoje irei explanar alguns equívocos frequentes que ocorrem no nosso dia a dia e é bem provável que você já tenha cometido alguns deles.

Vamos começar?

Preste muita atenção em cada palavra e termo, acredito que depois de ler este post não irá deslizar no português.

Tão pouco/ tampouco
Erro: Não fala inglês, tão pouco espanhol.
Forma correta: Não fala inglês, tampouco espanhol

Explicação: Tão pouco equivale a muito pouco. Já tampouco pode significar: também não, nem sequer e nem ao menos.

Somos em/ somos
Erro: No escritório, somos em cinco analistas.
Forma correta: No escritório, somos cinco analistas.

Explicação: Não há necessidade de empregar a preposição “em”.

Rúbrica/ rubrica
Erro: Ponha a sua rúbrica em todas as páginas do relatório, por favor.
Forma correta: Ponha a sua rubrica em todas as páginas do relatório, por favor.

Explicação: Rubrica é paroxítona, sem acento.

Responder o/ responder ao
Erro: Vou responder o email daqui a pouco.
Forma correta: Vou responder ao email daqui a pouco.

Explicação: A regência do verbo responder, no sentido de dar a resposta, é sempre indireta, ou seja, pede a preposição “a”.

Parcela única/ de uma só vez
Erro: O pagamento será feito em parcela única.
Forma correta: O pagamento será feito de uma só vez.

Explicação: Parcela significa parte de um todo. Logo se não há parcelamento, o certo é dizer “de uma só vez”.

No ponto de/ a ponto de
Erro: A demanda da chefia é tão alta, que estou no ponto de mandar tudo às favas.
Forma correta: A demanda da chefia é tão alta, que estou a ponto de mandar tudo às favas.

Explicação: Para dar a ideia de estar “prestes a”, “na iminência de”, use a expressão “a ponto de”

Guincho/guinchamento
Erro: Sujeito a guincho
Forma correta: Sujeito a guinchamento

Explicação: Guincho é o veículo que faz a ação, isto é, o guinchamento.

Fazem /faz
Erro: Fazem oito semanas que fui promovida.
Forma correta: Faz oito semanas que fui promovida.

Explicação: Verbo fazer quando sinaliza tempo que passou fica na 3ª pessoa do singular.

Entre eu e ele/ entre mim e ele
Erro: Entre eu e ele não há conversa nem acordo.
Forma correta: Entre mim e ele não já conversa nem acordo.

Explicação: Os pronomes pessoais do caso reto exercem função de sujeito (ou predicativo do sujeito) e não de complemento.
E nem/ nem
Erro: O funcionário não sabe escrever e nem ler.
Forma correta: O funcionário não sabe escrever nem ler.

Explicação: A conjunção nem significa “e não”.

A vista/ à vista
Erro: O pagamento foi feito a vista.
Forma correta: O pagamento foi feito à vista.

Explicação: Ocorre crase nas expressões formadas por palavras femininas. Exemplos: à noite, à tarde, à venda, às escondidas e à vista.

À partir de/ a partir de
Erro: À partir de novembro, estarei de férias
Forma correta: A partir de novembro, estarei de férias.

Explicação: Não se usa crase antes de verbos
A longo prazo/ em longo prazo
Erro: A longo prazo, serão necessárias mudanças.
Forma correta: Em longo prazo, serão necessárias mudanças.

Explicação: Usa-se a preposição em nos seguintes casos: em longo prazo, em curto prazo e em médio prazo.

A/há
Erro: Atuo no setor de controladoria a 15 anos.
Forma correta: Atuo no setor de controladoria há 15 anos.

Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver.

Fonte: Livro da autora Laurinda Grion, Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer).

Nunca se esqueça: Seu melhor professor é você mesmo!
Abraços e Sucesso!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Intensivão em "Português": Dicas de Gramática

Boa tarde a todos!

Hoje darei dicas importantes que facilitarão qualquer pessoa em seus estudos para qualquer concurso que tenha a matéria de gramática.

Vamos começar?

1 - POR QUE/PORQUE/POR QUÊ/PORQUÊ
PORQUE = pois ou pelo fato de que
• Eu gosto de você, porque sou louco.

POR QUE = por que motivo, razão (inclusive em títulos)
• Por que tornei-me padre.

POR QUÊ - em final de frase
• Parou, por quê?

PORQUÊ = o porquê, um porquê, os porquês
• Ninguém entendeu o porquê da sua decisão.

Agora, com mais detalhes:

POR QUE - preposição por + que (classe variável)
a) equivalente a pelo qual, ou suas variações (com ou sem antecedente)
• Esta é a razão por que não compareci. (Esta é a razão pela qual... - razão é antecedente)
• Eis por que não compareci. (Eis a razão, a causa pela qual não compareci. Neste caso, não há antecedente)

b) equivalente a por que motivo ou por que razão (Preposição + pronome), em interrogações diretas ou indiretas
• Por que você não compareceu?
• Não sei por que você não compareceu. (Não sei isto: por que voc6e não compareceu?)

c) em títulos (pronome interrogativo ou pronome relativo)
• Juscelino escreveu “Por que construí Brasília”.
Significa: por que é que eu construí Brasília.
Ou: as causas/razões por que (pelas quais) construí Brasília.

d) quando significa por qual (e variantes)
• O candidato optou por que carreira? (Optou por qual carreira?)
• Não sei por que caminhos seguir. (por quais caminhos)

e) Usamos por que, também, quando o por é um complemento de algum nome.
• Estou ansioso por que você retorne das férias. (ansioso por)
• O presidente demonstrou simpatia por que nós apresentássemos o projeto. (simpatia por)

PORQUE
a) equivalente a pois (conjunção coordenativa explicativa).
• O professor deve ter faltado, porque os alunos estão no corredor.

b) equivalente a pela causa/razão de que, pelo fato/motivo de que (conjunção
subordinativa causal)
• Faltei ao trabalho, porque estava doente.

c) expressão de realce
• Se todos concordam, é porque gostaram da resposta.

d) em interrogações
• Porque estava doente? Ora, isso não é motivo para faltar.

A situação seria a seguinte:
João: Por que você faltou?
José: Eu faltei porque estava doente.
João: Porque estava doente? Ora, isso não é motivo para faltar.
(A pergunta repete a resposta de José)

POR QUÊ
equivalente a por que motivo, por que razão, utilizado em final de frase ou em pausas.
• Você faltou por quê?
• Meu coração está triste não sei por quê.

PORQUÊ
sinônimo de motivo, razão (pode vir até no plural)
• Ninguém sabe o porquê dessa decisão.
• Todos nós queremos saber os porquês de sua decisão.

2 - Onde/aonde
Onde
Quando significa em que lugar, no lugar em que, em que, na qual, etc. Sempre em situações que não indiquem movimento.
• Moro onde o vento faz a curva. (moro em algum lugar)
• Arte Etc e Tal: a Arte onde quer que você esteja. (você está em algum lugar)

Aonde
Com verbos que têm a idéia de movimento ou com nomes que exijam a preposição a.
Aonde é combinação da preposição a + onde.
• Aonde eu for, venha também. (Quem vai, vai a algum lugar)
• Sua chegada foi aonde? (chegada a algum lugar)

FUNDO DO BAÚ
• Sobre onde e aonde
Nem sempre houve esse rigor quanto ao uso das formas onde e aonde. Vejamos os seguintes exemplos:

“Morrem dele nas florestas
Aonde habita o jaguar,...”
(Machado de Assis, Obra Completa, Aguilar, III, página 107, 1979)

“Mas aonde te vais agora,
 Onde vais, esposo meu?”
(Machado de Assis, Obra Completa, Aguilar, III, página 109, 1979)

Vela ao entrares no porto
Aonde o gigante está!
(Fagundes Varela, Vozes de América, 2ª ed. Porto, Typ. de Antonio José da Silva Teixeira, 1876)

3 - Há/a
Há: indica sempre tempo passado
• Há tempo não ouço Roberto Carlos.
• Esta carta foi enviada há 30 dias.

A: em situações que indicam futuro, distância ou espaço temporal.
• Daqui a pouco ele chegará.
• Foi atingido a trinta metros do local do acidente.
• O candidato chegou a 2 minutos do encerramento do prazo.

4 - Se não/senão
Se não: equivalente a ou, caso não ou quando não.
• Deu dois socos no amigo, se não mais. (dois socos ou mais)
• Se não chover, muitos morrerão. (caso não chova...)
• Se está satisfeito, é educado; se não, é grosseiro. (quando não está satisfeito...)

O se pode ser também uma conjunção integrante, introduzindo uma oração que funciona como objeto direto.
• O repórter perguntou se não vai haver a premiação. (O repórter perguntou isto, objeto direto. A oração se não vai haver a premiação é objeto direto de perguntou. O não deve vir separado, é claro.

Senão
Pode ser substituído por:
• do contrário, de outra forma
• Corra, senão perderemos a prova.
• a não ser, mais do que, menos, com exceção de
• Não fazia outra coisa senão reclamar
• mas, mas sim, mas também
• Não quis te magoar, senão ajudar.
• de repente, de súbito (= senão quando)
• E foi senão quando um tiro foi ouvido.
• mas antes, mas sim (= senão que)
• Não queria ajudar, senão que perturbar.
• falha, defeito, obstáculo (como substantivo, podendo ser escrito no plural)
• Havia muitos senões no livro.

Antes de pronomes, devemos usar senão a.
• não tinha outros amigos, senão a nós.

5 - A fim de/afim/afim de
A fim de: equivalente a para.
• Chegou cedo, a fim de fazer o trabalho. (com o objetivo de fazer o trabalho)
Afim corresponde a semelhante ou parente por afinidade
• Os dois têm pensamentos afins. (=semelhantes, que têm afinidades)
• O sogro é afim da nora. (isto é, tem parentesco sem laço sanguíneo)
• Pelo amor de Deus, não confundir com um uso coloquial
do a fim de com o sentido de estar interessado. Este uso torna-se a cada dia mais comum.
• Ele está a fim de você.

6 - Mas/mais
Mas: É conjunção adversativa, com o sentido de ideia contrária.
Dessa forma, pode ser substituída, na frase, por porém, todavia.
• Chegou cedo, mas não conseguiu ser atendido. (Chegou cedo, porém...)

A vírgula deve ser usada antes de mas.


7 - Abaixo/a baixo
abaixo = na parte inferior (advérbio)
• Abaixo, você encontra os jardins; acima, as garagens.

a baixo - preposição + adjetivo
• Na feira estava tudo a baixo preço.

8 - Demais/de mais
Demais = outros (pronome indefinido)
• Os cinco primeiros podem entrar. Os demais vão aguardar.

Demais = em excesso (advérbio)
• Ele bebe demais.

De mais - contrário de de menos (locução adverbial)
• Ela é lindíssima, toda certinha: nem centímetros de mais, nem de menos.

9 - Portanto/por tanto
Portanto - conjunção conclusiva
• Estou duro, portanto não me peça um centavo.

Por tanto - preposição + pronome
• Por tanto amor a vida me fez lutar.

10 - Mal/mau
Mal = moléstia, epidemia, tormento, etc. (substantivo)
• O seu mal era incurável.

Mal = contrário de bem (advérbio)
• Fez o trabalho mal e porcamente. (Não fez bem)

Mal = logo que, apenas (conjunção)
• Mal chegou, foi recebido a tapas.

Mau = contrário de bom (adjetivo)
• Passou por maus momentos (Contrário: passou por bons momentos)

11 - Acerca de/ há cerca de
Acerca de = a respeito de
• O ministro falou acerca de muitos temas econômicos.
• Normalmente se usa sobre: O ministro falou sobre muitos temas econômicos.

12 - Tampouco/tão pouco
Tampouco = também não (advérbio)
• Não compareceu, tampouco mandou avisar.

Tão pouco - tão (advérbio) + pouco (pronome)
• Foi tão pouco o que recebi, que nem valia ir receber.

Espero tenha gostado.

Bons estudos e até a próxima.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Intensivão em "Português": Figuras de linguagem

Bom dia a todos!

O assunto a ser trabalhado hoje será a "Estilística" que são os recursos utilizados nos textos (principalmente literários) para conferir à mensagem mais impacto, estilo, beleza ou qualquer outro recurso expressivo. Essas figuras são objeto do estudo da Estilística, que é uma subdivisão da Gramática.
São três as figuras de linguagem:
1) figuras de sintaxe (ou construção);
2) figuras de palavras e
3) figuras de pensamentos.

Vamos começar?

Figuras de sintaxe

Elipse: significa, em gramática, omissão. Essa é a palavra-chave. Quando se omite algum termo ou palavra de um enunciado, tem-se a elipse. Vale lembrar que essa omissão deve ser captada pelo leitor, que pode deduzi-la a partir do contexto, da situação comunicativa.

Exemplos:
Eu vi coisas lindas, realmente emocionantes; ela, coisas abomináveis, terríveis aos seus olhos. [omitiu-se o verbo ver em ela (viu) coisas abomináveis...];
Rico, podia fazer o que quisesse [omitiu-se a oração inteira: (Porque era) rico, podia fazer o que quisesse];
Empreste-me essa folha [omitiu-se de papel: folha (de papel)];
Todos esperamos se faça justiça [omitiu-se a conjunção que: esperamos (que) se faça justiça] 

Zeugma: é um tipo de elipse. Ocorre zeugma quando duas orações compartilham o termo omitido. Isto é, quando o termo omitido é o mesmo que aparece na oração anterior.
Exemplos:
Na terra dele só havia mato; na minha, só prédios. [...na minha, só (havia) prédios]
Meus primos conheciam todos. Eu, poucos. [Eu (conhecia) poucos]
Observação: quando a flexão do verbo omitido é exatamente a mesma do verbo da oração anterior, tem se a zeugma simples. Quando a flexão é diferente, tem-se a zeugma complexa.

Pleonasmo: é a reiteração, a repetição, o reforço de uma ideia já expressa por alguma palavra, termo ou expressão. É reconhecido como figura de sintaxe quando utilizado com fins estilísticos, como a ênfase intencional a uma ideia; sendo resultado da ignorância ou do descuido do usuário da língua, é considerado como um vício de linguagem (pleonasmo vicioso).

Exemplos:
Vamos sair fora! (se é sair, obviamente é para fora)
Que tal subir lá em cima e tomar um bom vinho? (se é subir, obviamente é para cima)
"Eu nasci há dez mil anos atrás" (se é há, só pode ser atrás)
Essa empresa tem o monopólio exclusivo da banana (se é monopólio, obviamente é exclusivo)
A mim, você não me engana (o verbo enganar tem dois complementos - a mim e me; eis um caso de objeto pleonástico)
Observação: um recurso literário bastante difundido é o epíteto de natureza, que não deve ser considerado como um pleonasmo vicioso. Serve, por fins estilísticos, para reforçar uma característica que já é natural ao ser. Exemplos: céu azul, pedra dura, chuva molhada.

Inversão: é, como o próprio nome diz, qualquer inversão da ordem natural de termos num enunciado, a fim de
conferir-lhe especiais efeitos e reforços de sentido. Podem-se considerar como tipos de inversão o hipérbato, a anástrofe a prolepse e a sínquise.
Exemplo:
Sua mãe eu nunca conheci (a ordem natural seria Eu nunca conheci sua mãe).
Hipérbato: tipo de inversão que consiste, geralmente, na separação de termos que normalmente apareceriam unidos, por meio da interposição de um elemento interferente, isto é, algo que interfere. Hoje em dia, porém, costuma-se tomar o hipérbato como sinônimo de qualquer tipo de inversão.
Exemplos:
A roupa, você verá, preta que comprei é linda [aqui o núcleo do sujeito (roupa) foi separado de seu adjunto adnominal (preta) por meio de uma oração interferente].
Compraram as mulheres vários presentes para os maridos (aqui houve a simples inversão entre o verbo e o sujeito).
Anástrofe: é a inversão entre termo determinante (aquele que determina, constituído de preposição + substantivo)
e o determinado, que passa a vir depois do determinante.
Exemplos:
Da igreja estava ela na frente [a ordem natural seria Ela estava na frente da igreja; Da igreja é o termo determinante, que, na anástrofe, veio antes do determinado (frente)]
Aqueles rapazes, sim, por dinheiro são muito ávidos [a ordem natural seria Aqueles rapazes, sim, são muito ávidos por dinheiro; Por dinheiro é o termo determinante, que, na anástrofe, veio antes do determinado (ávido)]
Sínquise: essa palavra vem do grego (sýgchysis) e significa confusão. É a inversão muito violenta na ordem natural dos termos, de modo que a sua compreensão seja seriamente prejudicada. Consiste, segundo alguns autores, em um vício de linguagem, e não em uma figura de sintaxe com fins estilísticos.
Exemplos:
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante" (ordem natural: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico)
Da verdade aquelas pessoas todas muito honestas você pode acreditar que sabiam (ordem natural: Você pode acreditar que todas aquelas pessoas, muito honestas, sabiam da verdade).
Prolepse (ou antecipação): é o deslocamento do termo de uma oração para a oração anterior.
Exemplos:
O Ministro do Planejamento dizem que vai pedir demissão [o sujeito da oração vai pedir demissão (o Ministro do Planejamento) foi deslocado para antes da oração principal (dizem)]
Essas frutas parece que não prestam [o sujeito da oração não prestam (Essas frutas) foi deslocado para antes da oração principal (parece)]

Assíndeto: Vem do grego, syndeton, que significa conjunção. É a ausência de conjunções coordenativas (aquelas que ligam orações ou termos coordenados, independentes) no encadeamento dos enunciados.
Exemplos:
Ela me olhava, lavava, olhava novamente, espirrava, voltava a trabalhar (não apareceu conjunção alguma para ligar as orações).
Eu nunca tive glória, amores, dinheiro, perdão (não apareceu conjunção alguma para ligar os termos que complementam o verbo ter).
Polissíndeto: é o contrário do assíndeto. É a repetição das conjunções coordenativas (principalmente as aditivas e e
nem), com o fim de incutir no discurso a noção de movimento, rapidez e ritmo.
Ela me olhava, e lavava, e olhava novamente, e espirrava, e voltava a trabalhar (foi repetida a conjunção coordenativa aditiva e).
Eu nunca tive glória, nem amores, nem dinheiro, nem perdão (foi repetida a conjunção coordenativa aditiva nem).
Anacoluto: é a quebra da seqüência sintática de uma frase. É como se o escritor de repente decidisse mudar de ideia, alterando a estrutura e o nexo sintáticos da oração.
Exemplos:
O José, sinceramente parece que ele está ficando louco (perceba que O José deveria ser sujeito de uma oração, mas ficou sem predicado, solto na frase; houve a quebra da sequencia sintática esperada).
Cantar, sei que todos devem cantar (viu como o verbo cantar está sobrando? Parece que o autor decidiu mudar a ordem da oração, sem nos avisar)
Observação: o anacoluto deve ser usado cuidadosamente na linguagem escrita. Exige experiência, estilo e intencionalidade por parte de quem escreve, para que não se confunda com uma confusão mental ou deficiências de estruturação do texto.
Silepse: é a concordância que se faz com a idéia, e não com a palavra expressa. É também chamada de concordância ideológica. Há três tipos de silepse: de gênero (a concordância se faz com a ideia feminina ou masculina); de número (a concordância se faz com a ideia singular ou plural); e de pessoa (a concordância se faz com uma pessoa gramatical diferente da expressa pela palavra)
Exemplos:
São Paulo realmente é linda [silepse de gênero - o adjetivo linda ficou no feminino porque concorda com a ideia (a cidade de) São Paulo]
Vossa Excelência pode ficar tranquilo e calmo [silepse de gênero - os adjetivos tranquilo e calmo ficaram no masculino porque concordam com a ideia: a pessoa a quem se dirige o pronome de tratamento Vossa excelência é homem]
Os paulistas somos bem tratados no Paraná [silepse de pessoa - o verbo ser concorda com a primeira pessoa do plural (nós), apesar de o sujeito expresso ser Os paulistas (terceira pessoa do plural). Com esse recurso, o emissor da mensagem quis passar a ideia de que ele também é paulista; de que ele se inclui entre os paulistas]

A gente não quer só alimento. Queremos amor e paz [silepse de número - o verbo querer ficou no plural, e seu sujeito oculto (A gente) é singular]
Observação: a principal diferença entre silepse de pessoa e de número é que na de pessoa o emissor da mensagem se inclui no sujeito de terceira pessoa do plural. 

Repetição: é a repetição de palavras que tem por finalidade exprimir a idéia de insistência, progressão e intensificação. Quando se repetem adjetivos ou advérbios, é uma maneira de se fazer o grau superlativo.
Exemplos:
Aquela moça era linda, linda, linda.

E, enquanto tudo isso acontecia, a garota crescia, crescia.

O sol estava claro, claro; eu mal podia enxergar.

Onomatopéia: Consiste na criação de palavras com o intuito de imitar sons ou vozes naturais dos seres. É, na verdade,
um dos processos de formação das palavras, que cabe à Morfologia.
Exemplos:
Ouviu o tilintar das moedas (o verbo tilintar imita o som de moedas se entrechocando).
Quando a insultei, slapt! (a palavra slapt imita o ruído provocado por um tapa).

Figuras de palavras

Comparação: é a comparação direta de qualificações entre seres, com o uso do conectivo comparativo (como, assim
como, bem como, tal qual, etc.).
Exemplos:
Minha irmã é bondosa como um anjo (existe uma relação de qualificações entre a irmã e o anjo; houve, pois, uma comparação, que se estabeleceu por meio do conectivo como)
Age o neto tal quais os avós (existe uma semelhança de ações entre o neto e os avós; houve, pois, uma comparação, que se estabeleceu por meio do conectivo tal quais)

Metáfora: assim como a comparação, consiste numa relação de semelhança de qualificações. É, porém, mais sutil e exige muita atenção do leitor para ser captada, porque dispensa os conectivos que aparecem na comparação. É o mecanismo pelo qual se toma "emprestada" a característica de um ser utilizando esse próprio ser como característica. Cabe ao receptor da mensagem saber qual é a característica em comum dos dois seres. Constitui uma das mais importantes e frequentes figuras de linguagem, sendo muito utilizada tanto na poesia quanto na prosa.
Exemplos:
Minha irmã é um anjo (existe uma relação de qualificações entre a irmã e o anjo; como não houve um conectivo que estabelecesse a relação comparativa, chama-se a essa comparação mental de metáfora. A palavra anjo não está sendo utilizada em seu sentido original; foi tomada como uma qualificação.
Cabe ao receptor saber que a característica em comum entre os dois seres é a bondade)
Tenho que viajar muito. São os ossos do ofício (que características em comum têm o ato de viajar muito e os ossos?
É simples: viajar muito é uma das exigências, uma das partes que compõem o trabalho do emissor dessa mensagem; os ossos são algumas das partes que compõem os corpos de alguns seres vivos. Houve a transferência do sentido de componente, algo necessário, da palavra ossos para o ato de viajar.
Cabe ao receptor decodificar essa transferência)

Metonímia: é a utilização de uma palavra por outra.

Essas palavras mantêm-se relacionadas de várias formas:
- O autor pela obra: Você já leu Camões (algum livro de Camões)?
- O efeito pela causa: O rapaz encomendou a própria morte (algo que causaria a sua própria morte)
- O instrumento pela pessoa que dele se utiliza: Júlio sem dúvida é um excelente garfo (Júlio come muito; o garfo é um dos instrumentos utilizados para comer)
- O recipiente (continente) pelo conteúdo: Jonas já bebeu duas garrafas de uísque (ele bebeu, na verdade, o conteúdo de duas garrafas de uísque); Os Estados Unidos assistem ao espetáculo das eleições (as pessoas que moram nos Estados Unidos assistem...)
- O símbolo pela coisa significada: O povo aplaudiu as medidas tomadas pela Coroa (a coroa, nessa acepção, é símbolo da monarquia, do rei).
- O lugar pelo produto: Todos gostam de um bom madeira (o vinho produzido na Ilha de Madeira).
- A parte pelo todo: Havia várias pernas se entreolhando no ônibus (na verdade, eram as pessoas, que têm as pernas, que se entreolhavam).
- O abstrato pelo concreto: A juventude de ontem não pensa como a de antigamente (Os jovens de hoje...)
- O singular pelo plural: O paulista adora trabalhar (Os paulistas...)
- A espécie ou classe pelo indivíduo: "Andai como filhos da luz", recomenda-nos o Apóstolo [referindo-se a São Paulo, que foi um dos apóstolos (espécie, classe)]
- O indivíduo pela espécie ou classe: Camila é, como diz sua tia, uma judas [judas (indivíduo) foi o mais conhecido traidor (espécie, classe) da história]
- A qualidade pela espécie: Os acadêmicos estão reunidos (em vez de os membros da academia...)
- A matéria pelo objeto: Você tem fogo (isqueiro)?

Sinestesia: é a figura que proporciona a ilusão de mistura de percepções, mistura de sentidos.
Exemplos:
Você gosta de cheiro-verde [como um cheiro (olfato) pode ser verde (visão)]
Que voz aveludada Renata tem [como um som (audição) pode ser aveludado (tato)].

Perífrase (ou antonomásia): é uma espécie de apelido que se confere aos seres, valorizando algum de seus feitos ou atributos. Ressalte-se que se consideram perífrases somente os "apelidos" de valor expressivo, nacionalmente relevantes e conhecidos.
Exemplos:
Gosto muito da obra do Poeta dos Escravos (antonomásia para Castro Alves).
O Rei do Futebol já fez mais de mil golos (antonomásia para Edson Arantes do Nascimento).
Tu gostas da Terra da Garoa (antonomásia para cidade de São Paulo)?
Eis a terra do ouro verde (antonomásia para café)
Observação: note que somente as antonomásias referentes a nomes próprios têm iniciais maiúsculas.

Figuras de pensamentos

Antítese: é a aproximação de palavras ou expressões que exprimem idéias contrárias, adversas.
Exemplos:
E Carlos, jovem de idade e velho de espírito, aproximou-se.
O que sempre foi simples tornou-se complexo.

Apóstrofe: é a interpelação inesperada de um ente real ou imaginário que se faz com a interrupção da seqüência do
pensamento.
Exemplo:
Sei de minhas condição vil e efêmera.
Sei também de minhas fraquezas. Tu, que queres aqui? (note que a sequência foi interrompida bruscamente com a evocação de alguém).
Observação: não confundir apóstrofe com apóstrofo, que é o sinal gráfico que indica a supressão de um fonema. Exemplo: Tomei dois copos d'água (o apóstrofo indica que o fonema e foi supresso)
Eufemismo: é uma maneira de, por meio de palavras mais polidas, tornar mais suave e sutil uma informação de cunho desagradável e chocante.
Exemplos:
Infelizmente ele se foi (em vez de ele morreu).
A criança nasceu com problemas mentais (em vez de A criança nasceu retardada)
Gradação: é a maneira ascendente ou descendente como as idéias podem ser organizadas na frase.
Exemplos:
Jonas, inesperadamente, assustou-se. Depois, gritou, aterrorizou-se e morreu (gradação ascendente, do menor para o maior).
Ela é uma bandida, uma enganadora, uma sem-vergonha (gradação descendente, do maior para o menor).
Ironia: figura que consiste em dizer, com intenções sarcásticas e zombadoras, exatamente o contrário do que se
pensa, do que realmente se quer afirmar. Exige, em alguns casos, bastante perícia por parte do receptor (leitor ou ouvinte).
Exemplos:
Olá! Júlio. Como você está em forma (considere-se que Júlio seja um rapaz com mais de 130 quilos)!
Meus parabéns pelo seu serviço (considere-se que o vigia tenha dormido e a empresa tenha sido completamente esvaziada durante um assalto)...
Hipérbole: é o modo exagerado de exprimir uma ideia.
Exemplos:
Estou morrendo de sede.
Você é a garota mais linda do mundo.
Prosopopéia (ou personificação): é a atribuição de características humanas a seres não-humanos. 

Exemplos:
O prédio sorria perante os trabalhadores (sorrir é uma atitude humana atribuída a um imóvel, uma edificação).
Depois que o sol me cumprimentou, dirigi-me à cozinha (cumprimentar é uma atitude humana atribuída a um astro).
Reticência: é a suspensão de uma idéia ou de um pensamento, deixando a cargo do leitor ou ouvinte a interpretação/inferência do que deveria ou poderia ser mencionado.
Exemplos:
Eu fiz toda a minha tarefa. Carla... bem... ela... (podemos deduzir que Carla não fez a tarefa).

Hoje eu tenho meu arroz e o meu feijão. Amanhã... (podemos deduzir que o emissor da mensagem não tenha certeza de que terá algo para comer amanhã; ou de que será feijão com arroz. A correta inferência dependerá do contexto em que a reticência estiver inserta).
Retificação: consiste em consertar uma afirmação anterior.
Exemplos:
Todos os deputados se reuniram para trabalhar. Ou melhor, para fazer-nos pensar que iriam trabalhar.
Ele, aliás, todos eles me traíram.

Espero tenham gostado. Enviem comentários se estão gostando.
Para amanhã estou preparando algumas dicas importantes da gramática.

Bons estudos e até a próxima.